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Corrida de Toiros no Redondo e o Toiro que mais parecia um Boi!

Por ocasião das festas das ruas floridas no Redondo, realizou-se sábado, dia 30 de Julho, mais uma corrida de toiros com o nosso Grupo. Juntamente com os montemorenses compartiam cartel o Grupo de Forcados local, assim como os cavaleiros João Salgueiro, Victor Ribeiro e João Moura Caetano, para serem lidados um curro de toiros do amigo e ganadeiro Engenheiro Luís Rocha.

O primeiro toiro saiu alegre e a cumprir tendo para o fim da lide de João Salgueiro perdido algum do seu fulgor inicial, em parte por culpa do piso algo pesado. Para a cara foi escolhido o forcado José Miguel Sampaio que depois de uma longa ausência devido a lesão, voltava de novo a tentar a sua sorte. Brindou ao público e com o seu cite característico, andou para o toiro, carregou e reuniu como mandam as regras, mas com o toiro a fugir ao grupo e a derrotar viu-se desfeiteado e obrigado a tentar de novo. Com a mesma postura, voltou-se de novo a fechar com vontade e com uma boa primeira ajuda de Diogo Campilho novamente com o toiro a fugir ao grupo concluiu uma pega vistosa.

O terceiro da noite, saiu com presença, mais sério que os anteriores e depois de uma lide pouco conseguida de João Moura Caetano chegou à pega inteiro e com vontade de destronar os forcados. João Cabral brindou ao antigo elemento Miguel Capinha Alves e depois de alguns passos carregou a sorte, com uma investida veloz, o toiro provocou uma reunião dura, lançando o forcado no ar. Com a pronta intervenção de António Corrêa de Sá e dos restantes elementos, o forcado João Cabral corrigiu-se na cara do toiro completando uma grande pega para os amadores de Montemor, bem rematada pelo rabejador Rodrigo Pietra Torres.

Para o quinto da noite, estava guardado um confronto que esta geração não mais vai esquecer. Com 600 e muitos quilos (pesado a olho por se tratar de uma desmontável), o toiro que mais parecia um boi saiu à praça a meter medo, sem nunca investir para o cavalo ou para o capote, o toiro chegou à pega com quatro ferros nas costas, dois compridos e dois curtos não sendo eles sinónimos de que tinha sido lidado pelo cavaleiro Vítor Ribeiro, porque não foi, sem este ter nenhuma culpa.

Por se tratar de uma praça desmontável que não obriga a presença de um jogo de cabrestos, a pega de cernelha não era uma opção. Tendo eu optado pela pega à meia volta, escolhendo para tal o forcado Pedro Freixo. Sem brindar, porque a pega não merecia brinde, colocou o barrete e apareceu nas costas do oponente, que prontamente se voltou e de forma violenta derrotou não dando nenhumas hipóteses ao Pedro e ao primeiro ajuda Hugo Melo. Com o forcado da cara lesionado (felizmente sem gravidade), João Mantas foi o voluntário e à imagem da primeira tentativa, o toiro voltou a não dar quaisquer hipóteses aos forcados que tentavam a pega, desfeiteando-os de forma bastante violenta, impressionando todo o público que preenchia a praça do Redondo. Depois das duas primeiras tentativas considerei que a pega de caras era impossível e a única solução seria tentar a pega de cernelha à ponta do capote. Felizmente poucos têm tanta experiência e vontade como os forcados Manuel Mata e João José Comenda que à primeira oportunidade entraram e concluíram a pega, a um toiro que mais parecia um boi.

Só a coesão e a experiência do Grupo permitiu ultrapassar um problema que parecia não ter solução, que sinceramente como cabo, era um toiro que não merecia que fosse lidado e muito menos pegado. Com todos os elementos bem de saúde, a noite merecia festa e depois da recepção na casa do antigo elemento Fernando Almeida, juntámo-nos para cear num restaurante cheio de ambiente em que os discursos emocionados levaram o convívio até de madrugada.

Rodrigo Corrêa de Sá

30 de Julho de 2005  

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