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Campo Pequeno e Salvaterra de Magos: dois dias de forte compromisso!

O final do mês do mês de Julho trouxe ao “nosso” Grupo de Montemor um duplo compromisso, com duas corridas de enorme importância e responsabilidade acrescida. O primeiro, no Campo Pequeno, 5ª Feira, 28 de Julho. O segundo, em Salvaterra de Magos, logo na noite seguinte: 29 de Julho. Duas corridas nas quais o Grupo de Montemor quis dar tudo para honrar da melhor forma “o peso” e a História da sua jaqueta!

Vamos começar pela noite do Campo Pequeno! Uma Corrida de Toiros onde se prestou uma justa e merecida homenagem, a Mestre Luís Miguel da Veiga pelos 50 anos de alternativa. Um ilustre e notável montemorense, símbolo maior de uma "dinastia toureira", um grande amigo do nosso Grupo, pai e tio de antigos elementos.

Saíram à praça sete toiros de David Ribeiro Telles (sete exemplares muito bem apresentados e cheios de “sal”), tendo o Grupo de Montemor repartido cartel com o Grupo de Évora. Actuaram os cavaleiros João Moura, Rui Salvador, António Brito Paes, Manuel Telles Bastos, Duarte Pinto, João Salgueiro da Costa e o praticante António Núncio.

3/4 de casa, um grande ambiente na praça, muitos antigos elementos e amigos do Grupo nas bancadas, destacando-se nas cortesias a presença do cavaleiro Luís Miguel da Veiga, pleno de maestria e classismo! 

Para a pega do primeiro ribeiro telles saltou a trincheira o Cabo António Vacas de Carvalho. Quis “abrir praça” e dar o exemplo em corrida de compromisso, brindando a pega a Mestre Luís Miguel da Veiga. Contudo, as coisas não lhe correram da forma ambicionada. Nas duas primeiras tentativas, forcado e o toiro “não se entenderam”. No momento da reunião o António foi para um lado, o toiro para o outro. Na terceira tentativa, o ribeiro telles entrou pelo grupo dentro com muita aspereza. Só à quarta tentativa e com as ajudas mais reforçadas, o Cabo António consumou a pega, com o Grupo a fechar bem e dar por concluída esta primeira intervenção da noite. Foi um momento “menos feliz”. Mas ao Cabo António deixo as minhas palavras de reconhecimento pela sua vontade de dar o exemplo, pela serenidade que demonstrou quando as coisas não estavam a correr bem, bem como pela capacidade de moralização do Grupo logo após esta pega. “Virou-se a página” e o António voltou ao comando do Grupo com toda a exigência que se lhe conhece!

Para o terceiro toiro da noite, o escolhido foi o forcado João Romão Tavares. Brindou ao antigo elemento Simão da Veiga (filho do homenageado da noite) e deu uma verdadeira lição de vontade e querer pegar toiros! Citou com muita serenidade, mandou na investida e reuniu com enorme determinação. O toiro entrou cheio de força pelo grupo dentro. O João fechou-se com um par de braços gigante e não mais saiu da cara deste ribeiro telles. Os ajudas lá se recompuseram e foram ter com o João e com o toiro, fechando definitivamente esta pega. Foi um grande pegão merecedor de duas voltas à arena. Olé João! Estiveste gigante!

Francisco Maria Borges foi o forcado que se seguiu para pegar o quinto da ordem. Um hino à inteligência e à técnica. O Francisco citou com muita classe, caminhando de tranquila, calma e elegante. Entrou depois em terrenos de grande compromisso e soube aguentar (e bem!!!). O toiro não metia a cara de forma franca no momento da reunião. Mas o forcado recuou com inteligência, entendendo o caminho do seu oponente e reuniu quando quis e quando achou que era “aquele o momento”. O Grupo esteve muito coeso a ajudar e consumou assim esta pega que foi um verdadeiro hino à técnica e à inteligência! Um grande “olé” também para o Francisco. Uma pega cheia de valor!

Para o sétimo e último toiro da noite, o escolhido foi o forcado Manuel Dentinho. Na primeira tentativa, as coisas não correram da melhor forma: forcado para um lado, toiro para outro. Na segunda tentativa, o Manel “emendou a papeleta”, mandou na investida e reuniu com muita eficácia. O Grupo esteve muito bem a ajudar, revelando enorme coesão. Uma boa pega a fechar esta noite de toiros no Campo Pequeno!

Pelo Grupo de Évora pegou João Pedro Oliveira à primeira; Gonçalo Pires dobrou o cabo António Alfacinha que sofreu uma aparatosa colhida; Manuel Rovisco a emendar João Madeira (que saiu lesionado após seis tentativas).

Em suma: balanço bastante positivo neste compromisso na Primeira Praça de Toiros do País. Destaque especial para o João Romão Tavares e para o Francisco Maria Borges, que nos brindaram com dois hinos à arte de bem pegar toiros. Destaco ainda o papel e importância do Francisco Godinho: está um verdadeiro toureiro a rabejar!...  

Salvaterra de Magos foi o desafio que se seguiu: seis toiros de Murteira Grave e nas pegas os Amadores de Montemor e Alcochete. Noite histórica de apresentação em Portugal da figura do momento do toureio apeado, o jovem matador peruano Roca Rey! A cavalo actuaram Rui Fernandes e Ana Batista.

Antes das “incidências” da corrida merece aqui um especial destaque, a forma como o nosso Grupo foi tão bem recebido pela Família Vinagre para a fardação: simpatia e “arte de bem receber” em Salvaterra. Um grande obrigado pela vossa disponibilidade e atenção!

Agora a corrida: Praça cheia, grande ambiente e grande expectativa. Salvaterra de Magos viveu uma noite com História e para a História e o nosso Grupo quis estar à altura deste acontecimento taurino! A noite era também de competição na forcadagem e por isso o empenho de todos os elementos foi bem notório.

Para pegar o primeiro toiro da corrida, o Cabo António escolheu (e bem) o forcado Frederico Caldeira. Agora “com estatuto” de homem casado, o Frederico fez tudo bem, como tão bem sabe fazer: citou de forma muito serena, elegante, mandou vir o toiro e reuniu com grande eficácia. O toiro derrotou alto algumas vezes mas o forcado já lá estava, aguentando com muita determinação até à chegada das ajudas que fecharam com muita coesão esta grande pega! Olé!

João da Câmara foi o forcado que saltou a trincheira para pegar o segundo do lote do grupo alentejano. Citando com muita classe e calma, o forcado mandou vir o grave quando quis e fechou-se com enorme determinação, numa reunião emotiva e vistosa. Mais uma vez as ajudas entraram no momento certo e de forma eficaz, a revelar coesão. O João está a ficar um verdadeiro forcadão!

Pelos Amadores de Alcochete pegou Diogo Timóteo à terceira e Pedro Viegas à primeira.

Depois de dois dias de muita responsabilidade e de grande exigência, seguiu-se um excelente jantar de convívio, descompressão e balanço.

Dois dias em que o “nosso” Grupo de Montemor mostrou como se escreve a oiro as páginas da sua História! Dupla jornada, duplo compromisso, duplo triunfo!

Um grande “Olé” para o melhor Grupo do Mundo! E pelo Grupo de Montemor venha vinho!!!

Lisboa, 2 de Agosto de 2016

Miguel Soares

Nota: Esta crónica foi escrita seguindo o antigo acordo ortográfico.

Fotografias: Florindo Piteira, Pedro Batalha e Emílio

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