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Corrida de Toiros em Lisboa (Campo Pequeno)

2 de Outubro de 2014 foi uma noite especial para todos e em todos os aspectos.

 

Assumir o compromisso de pegar na primeira praça do país é por si só um desafio de responsabilidade extrema, quando a esta tarefa se juntam os seguintes ingredientes a noite tinha tudo para ser perfeita:

- 6 cavaleiros: entre eles um misto de veterania, arte, maestria, irreverência da jovialidade, vontade de afirmação, e um comum a todos: ganas de triunfo!

- 6 toiros Mário e Herdeiros Manuel Vinhas e homenagem ao respectivo ganadero

- Forcados de Santarém e Montemor: A competição entre os dois mais antigos Grupos de Forcados, dois nomes de prestígio e uma amizade saudável dentro e fora de praça

- Homenagem ao nosso Grupo pela comemoração dos 75 anos, gentilmente realizada pela empresa Campo Pequeno

- Corrida transmitida pela RTP1, estação impulsionadora de espectáculos tauromáquicos em Portugal.

Em suma, a noite era de grande responsabilidade e o Grupo esteve ao seu melhor nível.

 

Uma noite de estreias!

A meu ver, na vida de um forcado existem diversas fases pelas quais passamos e em cada uma delas há algo que nos marca e nos distingue. Esta noite foi pelas mais diversas razões um marco para alguns dos forcados fardados e também para esta geração.

Posto isto, gostaria de destacar alguns acontecimentos que farão do dia 2 de Outubro uma data a não esquecer. Gostaria também de parabenizar alguns elementos pelo importante lugar que conquistaram neste dia.

Por ordem de idade de grupo:

- O primeiro elemento que faço referência é ao nosso cabo. No caso do António os parabéns nao vão logicamente para uma estreia, devem-se sim ao facto de depois de uma época menos conseguida e consequentemente com os níveis de confiança em baixo, chamar a si a responsabilidade de abrir a actuação do nosso Grupo, e não o podia ter feito melhor.

- Mendes, até que enfim! Um homem com barba desde os 12 anos já merecia ter pegado no campo pequeno mais cedo. A oportunidade só surgiu neste noite mas a espera valeu a pena, belíssima estreia, muitos parabéns!

- João Braga, um nome que a principal praça do país não ouvia desde os seus tempos de Ap. Chamusca mas pelos vistos o público Lisboeta tinha saudades. Obrigou o pequenino a dar a volta sozinho e a ir aos médios na sua estreia a pegar no “Petit Champ” pelo nosso Grupo de Montemor. Que estreia! Muitos Parabéns.

- O peixe graúdo já teve direito aos elogios, passemos agora ao peixe miúdo.

José Maria Barreto (Ia) e António Cortes Monteiro (Tó Pena), tiveram ambos a oportunidade de se fardar pelo melhor Grupo do Mundo no principal palco Português. Fardaram-se os dois pela primeira vez na época passada e devido a todo o seu esforço, entrega e sacrifício conquistaram este importante lugar. “Dentro de campo” honraram a camisola e fizeram por merecê-la, continuem assim e muitos parabéns.

 

Bem, já chega de mimar estes mariquinhas. Vamos às pegas!

 

Como já tiveram oportunidade de ler, para o primeiro toiro perfilou-se o nosso cabo António Vacas de Carvalho.

Para quem não sabe eu e o bochinha andámos sempre de mão dada no percurso do Grupo de Montemor, desde o primeiro dia em que nos fardámos nos juvenis, passando pela primeira vez que nos fardámos pelo Grupo sénior, e ainda pelo primeiro toiro que pegámos, tudo no mesmo dia! Tínhamos até o hábito de pagar uma imperial ao que tinha pegado naquela corrida ou quando pegávamos os dois pagava o que tinha estado pior. Aprendemos muito um com um outro e sempre que ele pegava eu ficava ainda mais picado para fazer um pegão e estar melhor que ele. Como sempre digo, se queremos ser os melhores temos que competir com os melhores, e o António sempre foi um deles. Estou desde sempre habituado a vê-lo fazer grandes pegas, mas este ano infelizmente não foi assim. As coisas não corriam bem, ele estava fora de forma e não foi certamente a época com que sonhou. Mas esta noite, 2 de Outubro de 2014, tive o prazer de voltar a ver o Tó Bocha das grandes pegas e o sacana com que eu me picava. Fez um pegão de levantar praça a um imponente Vinhas com 570kg, sério e a pedir forcado. Brindou a sua pega a Aurora Cunha, atleta Portuguesa que representou o nosso país durante largos anos e da melhor forma além fronteiras. Depois do brinde pôs-se em “su sítio”, bateu as palmas ao toiro e citou sereno, andou calmo para o oponente e quando quis, de largo como ele gosta, carregou-o e fê-lo vir com uma investida pronta. Aguentou, recuou o suficiente e reuniu da melhor forma, depois agarrou-se como um homem e com a vontade de um animal, passou pelo grupo, que não ajudou da melhor forma (JP, Pedro Borges e Quim Zé, bem!) e apenas com uma mão do Quim Zé na jaqueta e quase a cair, ganhou alma e puxou-se para cima. Grande pega! Tinha saudades de ver o forcado com que cresci, já não o via há uns tempos mas adorei reencontrá-lo, estiveste enorme.

 

Quando contratámos o Braga ao Ap. Chamusca era disto que estávamos a espera, e não falo apenas desta pega mas sim de toda a época. A pega que tivemos o prazer de assistir foi o culminar de uma época quase quase perfeita. Se me perguntassem o que é um forcado do Grupo de Montemor, apresentar-lhes o João Braga seria uma óptima resposta (em todos os parâmetros), fora de praça prepara-se fisicamente como ninguém para pegar toiros, lá dentro é um artista como vi poucos, desde que salta e dá um jeito à cinta e ao nó da gravata até que termina a a volta. Dentro de praça este foi o seu ano, o melhor que já lhe vimos no nosso Grupo e ao nível dos melhores. Depois de uma época recheada de êxitos a oportunidade de pegar no Campo Pequeno era mais que merecida e foi agarrada com unhas e dentes. Começou logo bem no brinde, dedicando a sua pega ao homem que lhe ensinou tudo o que sabe sobre a arte de pegar toiros e muito do que sabe em relação à vida, o seu padrinho de Grupo. Muito obrigado pelo gesto João, cabo António e Grupo de Montemor. Em seguida, pôs-se como mandam os livros (pelo menos os nossos) cá de trás. Citou com o garbo, arte e maestria que lhe conhecemos, calmo e a saber pisar como sempre. Viu o toiro a mostrar que queria sair e mandou-o vir, aguentou e recuou bem para depois se deixar cair sentando-se na perfeição na cara do toiro, conseguindo uma das melhores reuniões que tive o prazer de ver. Com o toiro a dois mil à hora, cheio de gás e a fugir um pouco ao grupo, o nosso Braguinha fechou-se que nem uma lapa e fez um pegão que lhe valeu uma volta sozinho e ida aos médios. Que grande pega a este Vinhas muito sério com 560kg. Muitos parabéns, este ano levas o crachá.

 

Para o maior do nosso lote, o nosso querido e adorado (para estas coisas) Filipe Mendes.

Apesar de ser o maior (580kg) o Filipe neste até teve sorte, foi o melhor toiro que nos calhou em sorte, mas mesmo assim ainda se tentou armar em engraçadinho na pega, teve azar que o Mendes não lhe deu abébias.

Esta sim uma estreia absoluta no Campo Pequeno. Um forcado indiscutível da linha da frente que na sua 11ª época, pelas mais diversas razões, ainda não tinha tido oportunidade de pegar na primeira praça do país. Foi o escolhido para fechar praça, decisão acertada do nosso cabo, uma vez que o Filipe fez mais uma pega à Grupo de Montemor. Com a eficácia que lhe é conhecida, após ter brindado o seu debute em Lisboa à empresa do Campo Pequeno, agradecendo a bonita homenagem que nos fez, o forcado pôs o barrete, bateu as palmas ao toiro e citou calmo e com saber. Pôs o toiro com ele e quando quis que este saísse carregou com alma, aqui o toiro foi sacana e simulou apenas que ia arrancar, o forcado esteve perfeito, não se deixou descompor e após o toiro repetir a brincadeira mais uma vez o Mendes conseguiu fazer com que este saísse. É aqui que se distingue a primeira linha dos que querem lá chegar, no sítio onde seca a boca o Mendes esteve sereno e depois sacou-se na perfeição, recuou ainda 4 ou 5 passos com o toiro a lamber o chão e conseguiu depois uma reunião exímia. Fechou-se tão bem à barbela que levou o toiro a acobardar-se, não chegando às tábuas. O Grupo esteve ao mais alto nível nesta pega, liderado pelo António Dentinho. Parabéns forcadão, a estreia não podia ser melhor.

 

O Grupo de Santarém não teve tanta sorte, pegando os seus toiros às 1ª, 4ª e 3ª tentativas, por intermédio de António Grave de Jesus, Lourenço Ribeiro e Ruben Giovety, respectivamente. Uma palavra para o Lourenço e para o Ruben, dois grandes amigos meus e que se estreavam também nesta noite a pegar na praça do Campo Pequeno. Fazem parte de um grande grupo e têm tido um percurso invejável, mas o Ronaldo e o Messi também falham penalties. Quanto ao Grave, esse já não precisa de palavras. Parabéns a todos pelas pegas e pela valentia demonstrada.

 

A mim resta-me agradecer o convite para ver a corrida de onde mais gosto, na trincheira e ao lado do meu Grupo. Tenho pena de não me poder ter fardado mas só estar ao vosso lado já valeu por muito. Não desejo a ninguém a sensação de saber as notícias das corridas pelo telefone enquanto estava deitado numa cama de hospital, nervoso, ansioso e com as enfermeiras dos cuidados intensivos a dizerem-me que tinha os batimentos cardíacos muito elevados. Após 17 dias internado ter tido alta no dia 2 de Outubro e ter o prazer de estar junto dos meus melhores amigos foi algo que me deixou verdadeiramente emocionado. Depois do susto que apanhei não quero deixar de dizer que vos adoro e que são MESMO uma segunda família. Muito obrigado por me encherem de orgulho mais uma vez, espero recuperar o mais rápido possível e voltar a dar o meu contributo dentro de praça, até lá contem comigo cá fora, vou estar sempre com vocês!

 

Francisco Borges (filho)

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