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Corrida de Toiros na Nazaré

Toiros no Sítio, à Noite, a Dois de Agosto 2014

 

Fui apanhado completamente fora de horas e de surpresa para fazer esta crónica da corrida, pelo que vou falar de outras coisas, sem deixar de tentar obviamente fazer a vontade do Cabo.

Toiros na Nazaré, o Pai vai à corrida? Não sei, talvez.

Estamos a meio de Julho e o reflexo condicionado imediato, é um telefonema para o Bom Sucesso.

João, é o Miguel Dentinho, como estás? E a Ana? Vamos andando! Temos que nos ver um destes dias. Apareçam por cá. Vais à Nazaré?

Depois, um convite inesperado duns amigos irlandeses para passar uns dias no Algarve e de repente, como se não tivesse havido mais nada no entretanto, como se as piscinas e os jardins da Quinta do Lago não passassem de um fait-divers, ou os “olá estás bom” a meio da ponte do Gigi nada nos dissessem, ou mesmo os petiscos requintados entre requintados amigos passassem sem memória, lá arrumamos maneira de encaixar duas malas e dois ilustres Forcados que na véspera me tinham pedido boleia para cima; em Almancil, já dormiam como os justos e só abriram olho na grelha da Ponte Sobre o Tejo, eram umas onze da manhã e o dia de Toiros tinha começado bem cedo.

Almoço na Lapa bem cuidado pela Teresa, uma sestinha e a conversa do costume: que disparate ir agora para a Nazaré, depois de uma viagem destas desde o Algarve.

Eram talvez cinco da tarde quando o João me servia uma boa pratada de uma paelha riquíssima, mais um vaso grande cheiinho de uma sangria branca bem fresquinha e lá me fui acomodando numa mesa cheia de gente, num dos terraços do Bom Sucesso.

Aquilo que tinha começado a meio de Julho, ia agora ganhando forma entre as garfadas de arroz e o escorrer da sangria, as conversas sobre toiros, o cartel revisto em detalhe e uma ilusão absurda em torno da Festa.

Saímos com tempo para ir ver a Onda do Mc Namara, o museu que lá montaram no Guardião da Memória e mais umas quantas voltas no Sítio, matando saudades de outros tempos, tudo isto debaixo de uma chuvinha miúda que ameaçou pôr tudo em causa.

Na fardação, entre os que descansavam deitados pelas camas, os que se descontraiam nuns toques de bola cá fora e os que rezavam entre relíquias, picamos um generoso lanche oferecido pelo Dono da Casa; sobraram bilhetes e os velhos sorriram, menos o Paulo que teve o cuidado de perder o dele: um fenómeno de registo, foi o desespero da busca improvável. Graças a Deus, o Agostinho resolveu a questão, com um que lhe tinha sobrado na sua qualidade de Director de Corrida.

Curro sério dos de Pégoras, a pedir alma na cara e corpo nas ajudas. Colhida grave de um dos moços da Chamusca, com fratura exposta numa perna, deixou nota de tragédia na Festa. Montemor teve três rijas pegas à primeira tentativa. Entre os cavaleiros, Rui Salvador e Luis Rouxinol estiveram à altura; Marco José, nem tanto. Ganadero deu volta no quinto. Superior a banda que abrilhantou a corrida.

A noite já ia longa, mas ainda houve ganas para aceitar a gosto o convite para o jantar do Grupo: um belo arroz de tamboril no cais de S. Martinho.

Deixei o João no Bom Sucesso e regressei a Lisboa onde cheguei pela manhã, depois de um dia comprido e farto, daqueles que já tinha saudades.

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