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Corrida de Toiros em Évora (50º Concurso de Ganadarias)

É POR TUDO ISTO QUE ESTAMOS A FESTEJAR 70 ANOS

Fez precisamente no dia 17/05/09 um ano, que se realizou o 49º Concurso de Ganadarias de Évora e o 1º Luso Espanhol, composto por 6 das mais conceituadas Ganadarias do Mundo Taurino. Nessa data vivia-se uma expectativa elevadissima pela seriedade, anunciada, da corrida.

Também nessa data o José Maria Cortes me pediu para escrever umas linhas sobre a forma como vi a Corrida relativamente ao nosso Grupo. Escrevi então, que em Évora se fez história para acrescentar à já longa história do Grupo de Montemor, pela forma como encararam a corrida e pisaram a arena, pelo que este Ano nada mais resta que acrescentar algumas linhas de êxitos confirmados ao longo historial.

Mas foi de forma diferente que este ano vivi o 50º Concurso de Ganadarias de Évora, pois tive oportunidade de sentir o ambiente e as emoções de uma corrida com estas caracteristicas, nas horas que antecedem a mesma, e isto porque o nosso Amigo Carlos Pegado me honrou com o convite de o acompanhar a presenciar o “apartar” e “enjaular” de alguns dos toiros que iriam compôr o cartel. Pelo que ao fim do dia de sexta-feira nos dirigimos a Sevilha para que ao nascer do sol estivessemos na Herdade de Zahariche onde pasta o efectivo bravo de Miura, assim foi, pouco antes da 6 da manhã estávamos no páteo da referida herdade, para assistirmos a toda a azáfama com o aparelhar dos Cavalos e depois à forma extraordinária como o toiro foi conduzido aos currais do “tentadero” afim de que se procedesse ao seu enjaule. Mas o que mais me agradou ver (e me deixou ruído de inveja) foi o excelente jogo de cabrestos de que dispunham e termos a perfeita noção que aqueles toiros estão totalmenmte adaptados à condução com cabrestos, situação que infelizmente em Portugal cada vez mais cai em desuso o que prejudica a tão bela e nobre modalidade de pega de Cernelha, a que nos habituámos ao longo dos anos, por ser extraordináriamente executada pelas sucessivas Parelhas de Cernelheiros de que o Grupo dispôs e dispõe, contudo, em meu entender e se tudo se mantiver na sequência do que agora acontece, este tipo de sorte apenas poderá ser vista na situação de recurso, o que me entristece a mim e muitos outros.

Desta Herdade seguimos para o Partido de Resina e para Galeana, afim de assistirmos ao enjaule dos toiros Partido de Resina e Grave respectivamente.
Resumindo, cerca de 24 horas depois e mais de 1000Km estávamos à porta da Arena d' Évora para que se procedesse ao desembarque destes toiros e ainda do Vitorino Martin que entretanto tinha sido transportado isoladamente para Évora.
Obrigado “Pégau” pela dura mas extraordinária experiência que me proporcionaste, permitindo-me avaliar porque razão foste um extraordinário Forcado e és um Exemplar Empresário Taurino, tudo se resume a uma unica palavra “EMPENHO”.

Cinco da tarde, casa cheia, perfilavam-se os Artistas, João Moura, António Ribeiro Telles e António Maria Brito Pais acompanhados pelas respectivas quadrilhas.
Nas Pegas, compunham o cartel os GFA Montemor e GFA Évora, os toiros à semelhança do ano transacto eram de Miura (4 anos 600Kg), Palha (5 anos 650Kg), Partido de Resina ex- Pablo Romero (4 anos 565Kg), Vitorino Martín (6 anos 510Kg), Murteira Grave (4 anos 580Kg) e Passanha (4 anos 600Kg), ao contrário do ano passado o IGAC não permitiu que excepcionalmente se procedesse ao sorteio com constituição de lotes de um toiro Portugês e um Espanhol, razão pela qual foram lidados por antiguidade.

Os Cavaleiros souberam avaliar as diferentes características dos seus oponentes dando- lhes a lide adequada, empregando-se e encastando-se perante as adversidades ficando por cima dos mesmos, o “ Maestro” João, foi no meu fraco entender o máximo triunfador, não deixando contudo os seus alternantes, o “ Maestro” António e o Jovem “ Mia”, os seus crétidos em mãos alheias.

Julgo que já os deixei impacientes o suficiente com esta longa introdução, no entanto aconselho-vos a que vivam a festa integralmente em todas as suas componentes e só assim poderão avaliar os toiros que vos surgirão pela frente e vos permitirá ser melhores Forcados e futuros aficionados exigentes.

Mais uma vez o Grupo de Montemor soube estar “Á Grupo de Montemor”, muito embora o peso emocional da corrida, por estar perante uma casa cheia de verdadeiros aficionados, por estar perante um público que é naturalmente exigente e por estar perante um curro de toiros com as caracteristicas que lhes são conhecidas, o Cabo e o seu Grupo, apesar da sua Jovialidade mostraram a importância da “ Escola” que se mantém na continuidade das diversas gerações do nosso Grupo.

O Zé Maria, à semelhança do que tem vindo a fazer nas corridas mais importantes, chamou a si não só o facto de abrir praça, como dar a si próprio a responsabilidade de pegar o toiro mais pesado do seu lote, o Miura um toiro sério com enorme esqueleto e que nunca humilhou, mais uma vez o nosso Cabo soube entrar em Praça com presença, para mandar no opositor dando as máximas vantagens mandando vir o toiro antes de meia praça e reunindo extraordináriamente num toiro de mangada alta e investida dura com todo o Grupo a ajuadar como mandam as regras obrigando o vulgarmente temido “Miura” a subjugar-se á eficiência do Grupo.

Para o nosso segundo, o Partido de Resina, foi escolhido um Jovem, que neste momento e na minha opinião está a atingir a máxima plenitude como Forcado, e isto porque o considero um forcado completo que, pega de caras, rabeja, cernelha e ajuda sempre com a mesma eficiência, não é sorte, é acima de tudo Preserverança, atitude, atenção, aficion e amor á arte, falo naturalmente do João Tavares o nosso querido amigo “Pêco”, que entrou em praça com toureria e andou para um toiro sério com um cite seguro e a dominar toda a sua envolvente, de tal forma que até o próprio toiro á medida que o viu avançar fazia oscilações com a cabeça no sentido ascendente e descendente como se quizesse dizer, muito bem “míudo” sabes o que estás a fazer e não me resta outra alternativa que subjugar-me á tua classe, e assim foi o “Pêco” mandou vir de largo, executando magistralmente todos os tempos da pega recebeu tapando completamente a cara ao opositor não lhe dando possibilidades de reação para de seguida e á semelhança do 1º toiro, todo o grupo ajudar exemplarmente para se concretizar uma pega dificil á primeira tentativa.

Faltava o Grave, também este um toiro sério e que acusou na balança o peso de 580Kg, para a pega deste toiro foi designado um forcado que muito embora recente no Grupo de Montemor é já um forcado feito a quem vi grandes pormenores, o forcado de quem falo é o João Romão Tavares filho de um antigo e grande forcado do nosso grupo de seu nome José Romão Tavares. Quanto a mim a escolha do Zé Maria foi correcta, contudo o João acusou a responsabilidade da corrida, da praça e da própria jaqueta e tentou resolver como se quisesse “comer” o toiro, não foi a melhor opção, acabou por ter de efectuar 2 tentativas com reuniões defecientes e duríssimas sendo obrigado a uma deslocação ao Hospital, Graças a Deus não foi nada de grave e concerteza já se poderá “vingar” num dos irmãos de camada na próxima corrida do Campo Pequeno em que nos encerraremos com 6 Graves.
Após o desaire do João, vimos prontamente vários forcados oferecerem-se para a “dobra”, recaiu a escolha noutro elemento com provas dadas e sobejamente experiente e seguro para resolver o problema, o Pedro Santos não acusou a dureza das tentativas do João e foi para o toiro com classe e a dar vantagens, não fosse o alivio do grupo a ajudar e a pega teria sido concretizada de imediato, pois o “Gadunhas” teve uma reunião excelente, teve de repetir mais uma vez já com as ajudas mais carregadas mas a resolver a “papeleta” com a dignidade que se impõe.

Quanto aos nossos amigos do GFA Évora, não tiveram a prestação que todos desejávamos e que eles próprios sonhavam, tendo as suas pegas sido realizadas aos restantes toiros ás 3ª, 2ª e 3ª tentativas, pelos forcados Manuel Rovisco Paes, Bernardo Patinhas e Francisco Garcia. Para o GFA Évora desejo as maiores venturas nos desafios que se avizinham, Sorte rapaziada.

A corrida terminou de forma animada no Restaurante “Santa fé” com um belissimo repasto, obrigado aos nossos anfitriões, com grandes discuros da “malta velha” e não só, incluindo pela 1ª vez um discurso interactivo.

Pelo Grupo de Montemor Venha Vinho....Venha Vinho....Venha Vinho.... Bota abaixo

Francisco Borges 18/05/2009

 

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