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Albufeira, a última de Agosto.

Dia 29 de Agosto foi dia de rumarmos a Albufeira, praça onde ainda não tínhamos pegado este ano e que tem feito parte do nosso calendário nas últimas épocas. Notava-se alguma ansiedade, visto que este fim de semana foi o mais folgado do mês de Agosto (só tínhamos esta corrida), e já não nos lembrávamos bem o que se fazia além de pegar touros..

Encontrámo-nos em Albufeira por volta das 20h00 (alguns mais perto das 21h00 – atenção aos atrasos!!), prontos para enfrentar mais este desafio. Em praça estavam os cavaleiros Marco José, Vítor Ribeiro e João Moura Caetano, para lidar 6 touros Paulo Caetano, que iriam ser pegados pelo nosso grupo e pelo Grupo de Évora. Os cavaleiros estiveram em bom plano, e os touros, com pesos entre os 470 Kg e os 585 Kg, deram lides agradáveis e transmitiram emoção nas pegas.

Os nossos dois primeiros touros foram pegados de caras, por dois elementos que têm vindo a subir de forma e que têm dado boa resposta a partir do momento em que perceberam que eram eles que tinham que assumir a importância que têm no Grupo, pois esta é a sua geração. O nosso 3º touro foi pegado de cernelha pelo João Maria Santos (cernelha) e pelo Rodrigo Pietra (rabejador), numa altura em que já estando anunciada a saída do Manuel Mata, nosso grande cernelheiro de serviço na última década, torna-se urgente arranjar um substituto, visto ser esta uma arte com tradição no nosso Grupo.

Assim, para a cara do 1º touro, com 530Kg, o Zé Maria escolheu o Filipe Mendes, que efectuava a sua 4ª pega nas últimas 4 corridas. Começou a citar “cá atrás” e, ao chegar a meia praça, o touro tem uma arrancada pronta. O Mendes aguentou e recuou o suficiente, tendo, no entanto, uma reunião defeituosa que o deixou de fora da cara do touro. No momento pareceu-me que o Mendes se tinha sentado pouco e, por isso, a reunião não teria sido a melhor. No entanto, tirando as teimas na tão importante câmara de filmar do grupo, notámos que o touro humilhou muito, e meteu um piton na canela do Mendes, o que o fez rodar para fora da cara. Estás desculpado Mendes! Para a 2ª tentativa foi com a mesma vontade, teve uma reunião perfeita e consumou uma pega vistosa e de vontade do forcado da cara, já que o touro fugiu ao grupo. Destaque também para a rabejação do Peco.

Para pegar o 2º touro, o mais sério dos nossos, com 510Kg, foi escolhido o Frederico Caldeira. Depois de uma grande pega na Idanha, tinha nova oportunidade de mostrar o bom momento que atravessa. O touro era reservado e dava indícios de se empregar na pega; e assim foi. O Frederico mostrou-se bem, mandou no touro e teve uma boa reunião. No entanto, ao sentir o forcado na cara, o touro derrotou: primeiro na viagem, derrotes que o forcado aguentou, e depois, já no seio do grupo, de forma violenta, tendo o forcado acabado por sair. De realçar que as ajudas deveriam ter sido mais prontas a meter “peso” na cara deste touro para fechar a pega à 1ª tentativa, pega que estava praticamente consumada. Na 2ª tentativa o Frederico teve que entrar mais nos terrenos do touro e fê-lo com saber, mandou e voltou a reunir muito bem. Também este touro fugiu ao Grupo, tendo proporcionado uma viagem longa mas segura pela maneira como o Frederico vinha enrolado na cara do touro. Fechou a pega o rabejador Francisco Godinho.

Para pegar o 3º touro o Zé Maria escolheu a dupla João Maria Santos / Rodrigo Pietra para pegar de cernelha. Não fez esta escolha por o touro ser complicado, não o era, mas sim por esta ser uma pega com tradição no Grupo de Montemor, e por ser uma boa oportunidade para o João Maria mostrar os atributos que demonstrou nas ferras feitas no defeso. A pega foi concretizada à 2ª tentativa. Na 1ª o João Maria teve uma boa entrada, aguentou à cernelha algum tempo, no entanto o touro enrolou-se de tal modo que acabou por conseguir agarrar o forcado e tirá-lo. Na 2ª tentativa o João Maria voltou a ter uma entrada cheia de técnica e vontade e com uma grande rabejação do Pietra agarraram-se para não mais sair. De destacar que além da dificuldade natural de uma pega de cernelha, esta veio acrescida de mais dois factores: os cabrestos, que andavam demais, parando-se pouco junto ao touro; e os campinos, que deviam pensar que só estavam assim vestidos para “inglês ver”, pois a noção e a vontade que tinham sobre como orientar os cabrestos para uma pega de cernelha era nula.

Queremos agradecer ao Grupo de Évora o brinde que fizeram ao nosso Grupo, através do Nuno Lobo, na última pega da corrida. Foi também com alegria que voltámos a ver o nosso amigo Rovisco pegar, depois de uma longa ausência das pegas de caras por lesão. Realce também para a pega do Ricardo Casas-Novas. Concretizaram as suas 3 pegas à primeira tentativa.

E para quem pensasse que por não haver mais corridas neste fim-de-semana cada um ia para seu lado, verificou-se o contrário: mesmo quando não há corridas gostamos de percorrer este Portugal juntos, já nem sabemos como passar um fim de semana de Verão sem ser com os amigos do Grupo de Montemor.

Nunca é demais lembrar que a próxima corrida é a do nosso aniversário, na nossa terra, na nossa praça, com o nosso público. Contamos com a presença de todos, neste ano com destaque para a homenagem que vai ser feita ao nosso antigo forcado e amigo “VECA”.

João Cabral
01/09/2008

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