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Noite sem glória, na primeira de Évora.

No passado dia 29 de Junho, o Grupo de Forcados Amadores de Montemor actuou pela primeira vez na renovada Praça de Toiros de Évora, agora com o nome de Arena d´Évora.

Para a tradicional corrida de São Pedro, já esgotada há uma semana, estavam anunciados os cavaleiros Rui Salvador, Luís Rouxinol, Vitór Ribeiro e a cavaleira amadora Isabel Ramos que lidaria um sétimo toiro, para pegar os Amadores de Montemor e Évora e os toiros pertenciam à emblemática ganadaria Murteira Grave.

Não foi a noite de glória que o Grupo ambicionava, falharam pormenores que condicionaram o êxito e puseram em causa uma corrida que, esta geração merecia que tivesse corrido bem.

Mas comecemos pelo princípio:

O ponto de encontro foi a bonita casa do antigo elemento Luís Filipe Roque, mais conhecido por Pipe que, juntamente com a sua mulher Elsa receberam o Grupo para este dia tão importante.

Em sorte os três toiros Graves mais pesados da corrida condicionavam as conversas da forcadagem, 610 o primeiro, 620 o segundo e 630 o terceiro, o toiro da Isabel Ramos que seria lidado antes do intervalo pertencia à ganadaria Guiomar Moura e pesava 500 kg.

O primeiro da noite lidado pelo cavaleiro de Tomar, Rui Salvador, saiu reservado e com poder. Zé Maria Cortes brindou ao público e citou de largo, aguentou a investida lenta mas, não conseguiu a reunião pretendida tendo sido colhido duramente quase, ao ponto de perder os sentidos. Citou de novo cheio de raça e fechou-se à córnea para ficar, o primeiro ajuda correspondeu e com uma grande primeira fechou-se sobe o forcado da cara, quando entrava nas segundas ajudas o toiro derrotou duro não dando hipóteses aos forcados. A terceira tentativa já com o João Pedro como primeira ajuda, depois do António ter recolhido à enfermaria com o sobrolho rasgado, foi de novo uma grande pega em que o forcado da cara mostrou mais uma vez o grande momento que atravessa. No final e apesar da pega se ter realizado à terceira tentativa o público exigiu que o forcado desse volta.

O nosso segundo toiro proporcionou grandes momentos ao cavaleiro Vítor Ribeiro. Para a cara foi João Cabral o escolhido, brindou à empresa “Terra Brava” que pela segunda vez em menos de uma semana esgotava a nova praça de Évora e com presença chamou de largo. Aguentou a investida nobre do oponente e reuniu com correcção, o grupo encerrou esta bonita pega sem dificuldades, bem rematada pelo rabejador Rodrigo Pietra Torres.

O quarto toiro da noite, com 3 anos e 500 kg era um “perdido de manso” como se costuma dizer não dando quaisquer hipóteses de êxito à cavaleira Isabel Ramos que agora inicia a sua promissora carreira.

Por essas razões optei pela a pega de cernelha sabendo das dificuldades que esta modalidade tem hoje em dia. O forcado João Tavares e Manuel Rovisco do Grupo de Évora brindaram ao público e esperaram o encabrestar do toiro. Depois de algum tempo fizeram a primeira entrada a um toiro destapado, valendo um violente coice ao cernelheiro que, mais tarde saberíamos que lhe tinha fracturado a omoplata. Sem querer mostrar a sua fragilidade João Tavares tentou mais duas vezes sem êxito, tendo sido dobrado com eficácia à primeira tentativa por Diogo Campilho.

Ao peco, só gostaria de dizer que, apesar de não ter tido sorte na sua primeira pega de cernelha, tenho a certeza que muito mais pegas irá realizar. A simplicidade e a humildade com que enfrentas um toiro, de caras, a rabejar ou de cernelha vão fazer de ti um dos grandes forcados nas nossas praças, para sorte do Grupo de Montemor.

O nosso último toiro foi substituído à última da hora pelo sobrero, tendo sido embolado momentos antes da lide. Luís Rouxinol apresentou-se em bom plano, perante um toiro que colaborou, só pena que o excesso de ferros tenha encostado o toiro às tábuas dificultando a pega.

Pedro Freixo brindou ao antigo elemento Filipe Roque e andou para o toiro, já nos terrenos do adversário carregou e voltou a carregar acusando algum nervosismo. Voltou a carregar sem esperar obrigando a toiro a rematar sem nexo, não permitindo uma boa reunião ao forcado da cara. Depois de desfazer mais duas vezes por o toiro não se arrancar, a segunda tentativa já com os toiros bem nos médios decorreu sem problemas para o forcado da cara que finalizou uma pega sem brilho.

O Grupo de Évora com uma boa exibição, realizou todas as suas pegas à primeira tentativa.

A terceira parte da corrida decorreu no “Mercado do Marisco”, onde mais de 70 pessoas, entre antigos, actuais e amigos do Grupo se reuniram num jantar de grande ambiente que durou já o sol raiva no céu.

A noite não foi de glória como todos nós ambicionávamos mas tenho a certeza que, já na próxima corrida o Grupo vai de novo demonstrar todo o seu valor.

Rodrigo Corrêa de Sá
30 de Junho de 2007

 

Fotografias: Francisco Romeiras

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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