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Mais um grande êxito para recordar!

O nosso Cabo GUIGA incumbiu-me a tremenda responsabilidade de comentar a corrida que o Grupo pegou no dia 22 de Junho de 2007 em Alcácer do Sal. Sinto-me extremamente lisonjeado, sendo para mim uma honra, agradecendo-lhe desde já todo o reconhecimento e amizade que me tem dedicado, assim como a maneira como sempre me tem recebido no seio da nossa “família” do Grupo de Forcados Amadores de Montemor.

Peço desde já imensa desculpa de algumas “gafes”que possa cometer, pois os meus dotes de “critico taurino” talvez não sejam os mais aconselhados.

Bom…passemos então aos factos.

Como era dia de trabalho, cheguei já tarde à bonita e ribeirinha Cidade de Alcácer do Sal, na qual pesam enormes tradições taurinas por culpa dessa figura impar do mundo taurino, que se chamou João Branco Núncio, o” Kalífa de Alcácer”. Por tal motivo, não tive tempo de ir até à Herdade de Penique, propriedade do “Pai Jorge Mendes”, onde o Grupo se reuniu para se fardar e desfrutar da simpatia e hospitalidade de toda a família Mendes.

Nos curros, estavam para concurso, seis toiros das seguintes ganadarias:

- Herdeiros de João Núncio com o peso de 585 kg e 4 anos de idade
- Fernandes de Castro com o peso de 530 kg e 5 anos de idade
- Murteira Grave com o peso de 550 kg e 5 anos de idade
- Brito Paes com o peso de 510 kg e 4 anos de idade
- Herdade de Pégoras (Dr. João B. Freixo) com o peso de 580 kg e 5 anos de idade
- Jorge Mendes com o peso de 600 kg e 5 anos de idade

Todos de excelente presença e trapio, para serem lidados pelos cavaleiros Joaquim Bastinhas, António Palha Ribeiro Telles e João Moura Caetano e pegados pelo Grupo de Forcados Amadores de Santarém de que é Cabo Pedro Figueiredo e Grupo de Forcados Amadores de Montemor-o-Novo comandados por Rodrigo Correia de Sá.

Ás 22,00 horas e com meia casa forte, deu-se inicio ás cortesias. A ordem de saída dos toiros foi em função da antiguidade da ganadaria.

A Joaquim Bastinhas tocou-lhe o 1º da noite, de Núncio, que saiu com poder, manso e difícil, que rapidamente se refugiou em tábuas. Depois de brindar a Luís Miguel da Veiga, cravou-lhe a ferragem da ordem no seu estilo fácil e alegre sem se destacar nada de assinalável. No seu 2º, de Brito Paes, também manso, o cavaleiro de Elvas esteve igual a si próprio, terminando a lide com um par de bandarilhas cravado em terrenos de dentro.

Para António Telles, saiu em 2º lugar um toiro de Fernandes de Castro, com poder e complicado, que exigia mando e temple, ao qual o cavaleiro não soube tirar partido, até porque foi o que melhor cumpriu no que diz respeito a bravura. No seu 2º,um exemplar de Pégoras, com poder e que veio de mais a menos, cravou-lhe em terrenos de dentro e à meia volta quatro ferros curtos, depois do toiro ter rematado em tábuas, ter perdido o copo da bola e ficado com a ponta do piton esquerdo de fora.

Completava a terna o jovem cavaleiro João Moura Caetano, que sentiu grandes dificuldades para dar a volta aos toiros que lhe tocaram em sorte.O 3º da ordem, de Murteira Grave, saiu com poder, manso e difícil. Parado, não se empregando, fechou-se em tábuas, com investidas curtas e a defender-se não deu qualquer hipótese. O seu 2º, ultimo da noite, de Jorge Mendes, com poder e manso, denotou muito sentido durante a lide, com o qual acabou por não se entender.

Passamos agora ao grande triunfo do Grupo do Forcados Amadores de Montemor. São os toiros difíceis e complicados que marcam a diferença, e aqui, o Grupo demonstrou o porquê e a razão, de ser a “ Máxima Figura” de entre todos os outros que existem. Sinto-me orgulhoso de ter tido a honra de vestir esta jaqueta e ter sido Forcado Amador do Grupo de Forcados Amadores de Montemor. Apesar de algumas baixas, por lesões de forcados importantes no Grupo, o Guiga tem sabido como ninguém colmatá-las, dando oportunidade aos mais novos, que a têm aproveitado, estando à altura, dando-nos a certeza e a garantia da continuidade carregada de êxitos.

Para a cara do nosso 1º toiro, 2º da noite, da ganadaria de Fernandes de Castro, saiu esse enorme forcado de “geração”e eleição, chamado João Mantas. Foi um momento de rara beleza e emoção. Sublime de valentia, raça, galhardia e classe, o João citou de largo dando todas as vantagens ao toiro que investiu forte e com força, “templou-lhe” a investida fechando-se-lhe na cara. Assistiu-se então a uma série de derrotes violentíssimos, com todo o grupo no sítio a ajudar, o toiro fugiu um pouco, e aí o João, com o querer e a alma só ao alcance de alguns, consumou uma grande e dura pega. No final, duas voltas e saída aos médios, a primeira acompanhado do cavaleiro.

Que Deus te dê muita sorte e te proteja como Forcado e Homem e que pegues o grande toiro da “vida”sempre com a mesma valentia, raça, alma e dignidade com que agora pegas os toiros na praça.

Para a cara do nosso 2º toiro, 4º da noite, da ganadaria de Brito Paes, foi o Gonçalo Saúde, que com um cite bonito, dando as vantagens ao toiro, provocou-lhe a investida com arte, fechando-se à córnea, consumou uma rija e bonita pega bem ajudado pelo resto do Grupo, demonstrando mais uma vez que os grandes forcados e os grandes homens, quando necessário, estão lá para dar a cara.

Para o nosso 3º toiro, ultimo da noite, da ganadaria de Jorge Mendes, foi escolhido outro forcado de “geração”, o Zé Maria Cortes, futuro Cabo, mais uma vez demonstrou a razão pela qual foi eleito. A sua postura, classe e temple e a maneira como recebe e se fecha nos toiros, faz com que o difícil pareça fácil. Deu-nos duas lições de “toureio” dada a forma como transporta para a arte de pegar toiros, a trilogia da arte de “Montes”,”citar, templar e mandar.” Este Zé Maria está um forcado de “Solera”.

O toiro era sério, com muito sentido e poder, de cara levantada, nunca se empregou durante a lide, chegou à pega inteiro. O Zé Maria fez uma primeira tentativa de sonho. Desde o cite, ao receber, ao fechar-se, tudo saiu perfeito, com o Grupo a ajudar numa longa viagem, o toiro fugiu um pouco e aí descompensou o lado esquerdo, como manso que era, num duro e violento derrote de cima para baixo, não deu hipótese nem aos ajudas nem ao Zé Maria, que numa segunda tentativa e da mesma forma consumou mais uma soberba pega muito bem ajudado por todo o Grupo.

O outro grupo pegou o 1º, 3º e 5º (o toiro que ficou com a ponta do piton de fora da bola) da noite, à 3ª, 4ª e 1ª tentativas respectivamente, esta ultima numa “caricatura” de cernelha, depois de um bandarilheiro ter dado tantos capotázos no toiro que este se deitou.

No final, o júri constituído por todos os ganadeiros, atribuiu o prémio de bravura em disputa, ao toiro lidado em 2º lugar, pertencente à ganadaria de Fernandes de Castro.

Dirigiu a corrida o Delegado Sr. António Barrocal.

Joaquim Murteira Correia
24 de Junho de 2007

 

Fotografias: Francisco Romeiras

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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