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Grupo de Montemor sai pela "Porta do Príncipe" em Sevilha

Na vida do Grupo de Montemor, muitas são as histórias partilhadas por quem envergou essa jaqueta, mais do que um Grupo de Forcados, desde sempre, somos sobretudo um grande Grupo de Amigos. Amigos que partilham para sempre, os bons e os maus momentos, fazendo desta amizade única e para toda a vida.

A história que vos vou contar é mais uma que fica, marca principalmente quem a viveu mas tenho a certeza que noutra altura e noutro lugar, outras gerações do Grupo a viveram também, revendo-se neste testemunho que vou partilhar.

Sem corridas marcadas para o fim-de-semana e em pleno mês de Abril, não quisemos perder a oportunidade de dar um salto até Sevilha e desfrutar da famosa feira espanhola. Com o aproximar dos casamentos dos elementos Tó Sá e Campilho, estavam reunidos motivos mais do que suficientes para uma digressão.

O ponto de encontro deu-se como não podia deixar de ser em Montemor. Sexta-feira ainda não eram cinco da tarde e já discutia-mos onde iria ser a primeira paragem, demorou pouco até nos reunirmos, cabendo o papel do mais atrasado ao forcadão Mantas, desde logo ofendido por todos, nervosos e ansiosos por chegar ao destino.

Como não havia tempo a perder, decidimos que a primeira paragem seria à entrada de Sevilha, para uma bela jantarada e sem mais demoras pusemo-nos a caminho. Já na estrada as conversas nos diferentes carros eram idênticas, pegaram-se toiros, discutiram-se namoradas e marcaram-se golos, pontualmente uma ou outra conversa mais intelectual mas que, rapidamente era desviada para os assuntos de maior interesse.

Sem dar pelo tempo passar chegámos ao nosso destino e ainda mal tínhamos estacionados os carros e já nos sentava-mos para jantar, calamares, jamón, gambas al ajillo, …, e muitas canhas compuseram a mesa e durante alguns minutos imperou acalmia. Com as energias repostas, voltou o fulgor.

- Então agora vamos aonde? – Perguntavam os mais ansiosos.

- Agora é tempo de festa. – Responde um mais afoito.

Poisámos as tralhas no Hotel “Los Bermejales” e fizemo-nos à noite. A Calle Betis foi o nosso destino. Bares e mais bares, esperavam por nós e ao sabor de uma imperial acompanhada por uma sevilhana, as horas passaram-se sem darmos por ela. Durante toda a noite a movimentação foi grande e só terminou já o sol raiava.

Na mesma manhã e depois de dormirmos algumas horas, acordámos e observámos o grande hotel onde estávamos instalados. À imagem dos campos de petróleo algures em África, os nossos quartos não passavam de contentores mais arranjados, tudo graças ao nosso amigo Nini.

– Ó rapaziada isto é do melhor, estas residências universitárias, são baratas e estão cheias de miúdas.

O que é certo é que os vinte elementos que compunham a digressão dormiram que nem uns anjinhos. Quanto às universitárias nem vê-las.

Sábado era dia de corrida, aperaltámo-nos a rigor e fomos até à “Maestranza”, comprámos bilhetes, almoçámos e aproveitámos a tarde e para apreciar a beleza única desta típica cidade espanhola. De novo junto à praça o ambiente era efervescente, a agitação que se vivia era única e contagiava até o menos aficionado. Sentámo-nos no nosso lugar e por momentos imperou o silêncio, sem excepção imaginámos como seria estar fardados em tão bela arena e pegar para um público que vive a corrida de toiros com tão grande intensidade.

Como bons entendidos também tecemos os nossos comentários, pondo sempre em causa se o toiro fosse para a pega, qual seria o escolhido. Se pudesse tinha dado os seis ao Pedro Freixo, só assim ele teria conseguido ver a corrida um pouco mais sossegado

 – Mátalo. – Pedia ele.

No final a fotografia para a posteridade foi obrigatória.

Sentados numa esplanada e acompanhados por uma bela noite de primavera, deliciámo-nos com as tradicionais tapas, sempre bem regadas da não menos famosa canha. Desta vez demos especial atenção aos noivos que por qualquer razão tinham de beber.

– Mostra como é lá na tua casa. – Pedia a rapaziada.

O jantar não terminou sem a famosa modinha, entrelaçámos os braços, Pipe Roque deu o mote e como bom grupo de alentejanos cantámos em velocidade reduzida capaz de impressionar qualquer Sevilhano.

A noite foi de novo a caminho da Calle Betis, à imagem da noite anterior, talvez um pouco mais eufóricos e depois de termos convencido um desconhecido a nos dar boleia no seu autocarro, chegámos à movimentada rua. Em todos os bares que entrávamos era uma nova história para contar, ora o Cortes, ora o Kikiu, umas vezes o Cabral, ou outro qualquer, havia sempre um que estava a inventar, fazendo desta noite mais uma para recordar.

Domingo foi dia de regressar a casa, já no carro, cansados mas bem dispostos, partilhámos as novas histórias que vivemos, fazendo da viagem um tempo curto e bem passado.

Ao chegar a Montemor, despedimo-nos com a certeza, que sem dúvida, mais do que um grupo de forcados, somos sobretudo um grande grupo de amigos.

Rodrigo Corrêa de Sá
24 de Abril de 2006

À entrada de Sevilha começou a festa rija

A paródia foi uma constante

O Hotel era de Cinco ou Mais Estrelas *****...

El Paco Mira

À espera do autocarro

Tapas e Canhas deram o mote

Mais uma para a posteridade

La Maestranza

Para recordar

O Grupo com a figura Curro Romero

Nini & Paco que goapos...

Um brinde aos noivos

A modinha alentejana também marcou presença

As histórias foram para todos os gostos, até um autocarro particular nos deu boleia...

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