Considera-se
que a primeira apresentação
do Grupo de Forcados Amadores de Montemor
teve lugar no dia 4 de Setembro de 1939 na
praça de toiros da vila de Montemor-o-Novo.
Numa garraiada a favor do asilo Montemorense
reuniram-se para pegar os novilhos um grupo
de jovens forcados: como cabo Simão
Malta acompanhado por Feliciano Reis, João
Manuel Malta, José Antas Joaquim
Capela, Francisco de Castro e Cipriano
Palhinha. É a estes jovens que nós
devemos a origem da instituição
que é hoje o Grupo de Montemor.
Foi nessa tarde de 1939, que se iniciou
algo que se mantém bem vivo nos
nossos dias. Com a aficion desse punhado
de bravos formou-se um grande Grupo de
Forcados e um verdadeiro Grupo de amigos.
Daí para cá, nestes anos
que já passaram já envergaram
a sua jaqueta rubra mais de 320 elementos,
tendo o Grupo participado em espectáculos
em todos os continentes, honrando a sua
cidade, o Alentejo imenso onde estão
inseridos e por diversas vezes o seu próprio
país.
É a Simão Malta, o primeiro
cabo, que se ficou a dever a oportunidade
de tantos se conhecerem, cimentarem amizades
profundas, viverem momentos grandiosos
nas arenas e fora delas, tendo desde logo
conseguido dar ao Grupo uma projecção
nacional.
Simão Malta deixou o comando no
final da temporada de 1945, tendo passado
o testemunho a Manuel de Sousa Nunes que,
de 16 de Junho 1946 até ao final
de 1948 permaneceu à frente dos
montemorenses. Em 1949 e 1950 Simão
Malta voltou de novo a dirigir o Grupo,
ele que, mesmo no tempo de Sousa Nunes,
continuou sempre a pegar.
Seguiu-se um interregno de quatro temporadas
1951, 52, 53 e 54 em que apenas actuou
numa corrida em 1952 numa tentativa de
continuação do Grupo. Mas
só em 1955 em 10 de Abril, de novo
em Montemor, o Grupo reapareceu sob o comando
de Américo Chinita de Mira que foi
seu cabo nessa temporada, tendo abandonado
o Grupo e a sua chefia em 3 de Setembro
de 1956 na mesma praça.
Na corrida seguinte, em 7 de Outubro,
na praça de Évora assumiu
o Grupo Joaquim José Capoulas. A
sua liderança manteve-se por mais
de 14 anos, até ao final de 1970.
Em 4 de Abril de 1971, na praça
de Beja, António José Zuzarte
foi o novo cabo, dirigindo os destinos
dos montemorenses até ao dia 2 de
Setembro de 1979, onde na praça
de Montemor e depois de pegar um toiro
de cernelha com Simão Comenda, despiu
a jaqueta e entregou-a a João Eduardo
Cortes que, nessa mesma noite, comandou
o Grupo pela primeira vez, na praça
de toiros de Estremoz, a terra que o viu
nascer.
Manteve-se João Cortes no comando
do Grupo até 2 de Setembro de
1984, onde na mesma arena de Montemor,
passou, por sua vez, a jaqueta ao novo
cabo, Paulo Vacas de Carvalho.
A tradição da passagem de
testemunho, na arena dourada de Montemor-o-Novo,
continuou e assim tem sido até aos
dias de hoje. Paulo Vacas de Carvalho,
em 7 de Setembro de 1997, passou de novo
a chefia do Grupo a Rodrigo Corrêa
de Sá, o 8º e actual cabo de
Montemor.
Tendo como Madrinha a Nossa Sra. da Visitação,
padroeira da cidade, estes oito cabos tiveram
sempre sob sua chefia, jovens valorosos
que, com a sua arte, valentia, espírito
de entreajuda, sacrifícios sem limite
e uma sã amizade, contribuíram
para dar continuidade ao Grupo e colocá-lo
na primeira fila dos Forcados Portugueses.
Arriscando a vida, sofrendo algumas colhidas
bastante graves, que deixaram marcas, mas
que tornam o espírito uníco
e que fazem com que exista um nunca mais
acabar de parentescos a envergarem a jaqueta
do Grupo. Mesmos sem os laços de
sangue, a amizade profunda que liga aqueles
que algum dia, fizeram parte desta comunidade
de bravos, estará presente para
sempre.
Quem não recorda momentos grandes
passados nas arenas de Portugal, Espanha,
França, Macau, México, Estados
Unidos da América, Canadá,
Indonésia, Grécia, por esse
mundo fora onde a jaqueta das ramagens
de Montemor foi sempre dignificada com
honra e glória, quer em actuações
do Grupo ou dos seus elementos integrados
em selecções de forcados.
Alguns já partiram, mas entre nós
eles estão sempre presentes, pelos
seus feitos na arena, pelas vivências
fora dela, pela imensa saudade dos grandes
momentos que vivemos em comunhão.
As estradas, o mar, a guerra, levaram alguns
dos mais jovens, a doença levou
outros. Felizmente nenhum morreu na arena.
O perigo não está só lá,
frente ao Toiro. Mas é sempre ele,
um animal nobre que admiramos e respeitamos.
Sem ele, a Festa já tinha terminado. |